Para tratarmos sobre a formação
de discípulos, temos que aprender com o Senhor Jesus, que começou a fazer
discípulos e nos ordenou continuar.
1. JESUS COMO ESTRATEGISTA
Como vemos Jesus? Muitas vezes
nós só vemos Jesus como aquele que falou da parte de Deus, realizou curas,
expulsou demônios, ressuscitou mortos, fez muitos milagres, etc. Mas será que
vemos Jesus como um estrategista? Vemos como aquele que tinha um alvo e um
plano estratégico para atingi-lo.
2. POR QUE JESUS SE CONCENTROU EM
DOZE HOMENS
Jesus, ao concentrar seu trabalho
em doze homens, nos revela um plano estratégico. Ele tinha muitos seguidores,
mas como poderia cuidar de todo aquele povo, que era como ovelhas sem pastor,
e, ao mesmo tempo, dar continuidade à obra que veio realizar da parte do Pai?
Ele tinha compaixão pelo povo sem quem o liderasse. O que ele poderia fazer
diante de tão grande necessidade? Se não podia tomar conta de todas as pessoas,
teria, então, que ter homens que cuidassem delas. Por isso, seu ministério
desenvolveu-se mais no cuidado pessoal de alguns homens, para que estes, uma
vez cuidados pessoalmente e preparados para a obra, dessem continuidade ao que
ele veio fazer. Assim, nasceu o discipulado de Jesus com seus doze discípulos.
3. O PRINCÍPIO DE DISCIPULADO JÁ
EXISTIA
O princípio de discipulado
empregado por Jesus com seus doze discípulos já existia.
As palavras discípulo e fazer
discípulos têm sua ideia original, como a raiz do grego indica, na prática da antiguidade
dos povos do oriente, de um aprendiz seguir seu mestre e seu ensino.
Na palavra de Deus encontramos
várias referências deste relacionamento:
• Os discípulos de Moisés (João
9:28)
• Os discípulos dos profetas (2
Reis 4:1,38)
• Discípulos dos levitas-músicos
(1 Crônicas 25:8)
• Discípulos de João Batista
(Mateus 9:14)
• Os Discípulos dos fariseus
(Lucas 5:33)
• Discípulos de Jesus, tendo como
primeira referência, dentre muitas outras, (Mateus 5:1)
• Os Discípulos de Paulo (Atos
9:25)
4. O PLANO ESTRATÉGICO
Em Marcos 3:14-15, encontramos o
plano estratégico de Jesus para desempenhar sua obra:
“Então designou doze para estarem
com ele e para os enviar a pregar, e a exercer a autoridade de expedir
demônios.”
Plano Geral:
Quando lemos o plano de Jesus em
Marcos 3:14-15, entendemos que ele chama os doze para estarem com ele, e ao
mesmo tempo, os envia a pregar, etc. Mas em 6:7 diz que eles só são enviados
mais tarde. Como entender? É que em 3. 13-15, o plano é dado num sentido geral,
mas, depois ele é especificado.
As duas etapas do plano:
No plano estratégico de Jesus há
duas preposições: “para”, que especificam duas etapas:
- Primeira etapa: “para estarem
com ele” - Compreende os capítulos 3.14 a 6.7
- Segunda etapa: “para os enviar
a pregar..." - A partir do capítulo 6.7
Primeira etapa do plano:
A primeira etapa do plano
estratégico de Jesus era de os discípulos simplesmente “estarem com ele”. Vai
do capítulo 3.14 até 6.7. Era o começo do discipulado de Jesus.
Discipulado para Jesus era isto:
os discípulos estarem junto com ele. Era um relacionamento intenso e íntimo.
Esta foi a maneira mais eficiente que Jesus encontrou para servir e ensinar
seus discípulos. Eles aprendiam vendo Jesus fazer (Atos 1.1) Tudo o que ele
queria que seus discípulos fizessem, antes ele dava exemplo. O exemplo é o
melhor ensino. Por isso, para Jesus, o discipulado não era mais um método, um
programa, um grupo de estudos, uma reunião, uma entrevista. Não, discipulado
para Jesus era ele mesmo se dando para seus discípulos. E nesta primeira etapa,
os discípulos aprendiam de Jesus para mais tarde praticarem o que receberam.
Neste tempo, Jesus estava formando suas vidas e equipando-os para a obra.
Segunda etapa do plano:
• Depois de os discípulos
aprenderem de Jesus, e ainda continuarem aprendendo dele, eles, agora, são
enviados à obra. A partir do capítulo 6.7, eles começam a fazer o que
aprenderam com Jesus. Eles pregam o evangelho do reino, expelem demônios, curam
enfermos (6. 7-30). Mas eles não faziam a obra sozinhos. Jesus os tinha enviado
de dois a dois (6.7). Eles estavam vinculados com Jesus, e vinculados entre
eles. O vínculo com Jesus é o discipulado; e o vínculo entre eles é o
companheirismo. E quando eles voltavam das caminhadas evangelísticas, “lhe relatavam
tudo o que tinham feito e ensinado” (6.30). Ele começou sua obra com os doze,
atingindo em primeiro, as ovelhas perdidas de Israel, e depois as ovelhas
perdidas do mundo.
5. A ESTRATÉGIA E OS RECURSOS
ESTRATÉGIA: Já vimos que Jesus se
concentrou em poucos homens e os discipulou. É a prática mais eficiente de se
formar uma vida e de equipar para a obra.
RECURSOS: nos textos paralelos do
chamado e envio dos doze, (Mateus 10.1-4 e Marcos 3.13-19 com 6.7 , 12 , 13, e
Lucas 9.1, 2) , podemos dizer que há um tripé, que também se repete em outras
situações:
1º) pregação do evangelho do
reino;
2º) expulsão de demônios;
3º) cura das enfermidades.
São recursos de Deus para o
cumprimento da sua estratégia, concedidos para os apóstolos e para nós. A pregação
do evangelho do reino trata com o fim da independência e rebeldia do homem para
com Deus, e o começo de uma vida dependente e obediente em tudo a ele.
A expulsão de demônios e a cura
das enfermidades tratam com a conseqüência do pecado do homem e a sua
libertação destes males.
6. O PRINCÍPIO DOS PEQUENOS
GRUPOS
Jesus ensinou e equipou os
discípulos, tanto individualmente como juntos. Ele andava, pregava, ensinava,
fazia a obra com todos. Assim eles aprendiam com Jesus e uns com os outros. Não
fazia uma obra isolada, mas corporativa. É o princípio dos pequenos grupos de
discípulos. Os evangelhos chamam o grupo dos discípulos de Jesus: “os doze”. É
a igreja de dois ou três, doze ou mais discípulos. São as células. É a igreja
nas casas. É o modelo de igreja que Jesus deixou para nós seguirmos.
7. RESUMO DA ESTRATÉGIA DE JESUS
Podemos apontar os oito
princípios da sua obra (*):
1) Seleção (Lucas 6:13) =
Selecionou doze discípulos para entrarem com ele.
2) Associação (Marcos 3:14; 6:7 ;
Lucas 6:14,15) = Associou os discípulos consigo pelo discipulado, e entre eles,
pelo companheirismo.
3) Consagração (Mateus 11:29) =
Esperava que os homens que o acompanhavam lhe fossem obedientes em tudo.
4) Transmissão (João 17:8) =
Transmitiu-lhes tudo o que recebera do Pai.
5) Demonstração (João 13:15) =
Antes de mandar fazer qualquer coisa, dava-lhes demonstração de como fazer.
6) Delegação (Mateus 4:19) = Deu
do seu poder e autoridade para seus discípulos fazerem discípulos dentre o povo
judeu, e, mais tarde, dentre todos os povos (Mateus 28:19)
7) Supervisão (Marcos 6:30) =
Quando os discípulos voltavam das caminhadas evangelísticas, davam relatório a
Jesus de tudo quanto haviam feito e ensinado, assim Jesus podia ajudá-los,
fortalecê-los, aperfeiçoá-los, e prepará-los para as novas tarefas.
8) Reprodução (João 15:16) =
Jesus tinha como meta que seus discípulos reproduzissem outros discípulos, e
assim expandissem sua obra.
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