O judaísmo encerra não apenas um sistema religioso mas também, social,
cultural, político e filosófico.
Surgiu por volta do ano 2.000 a.C, entre os amoritas (ocidentais) que se
instalaram na Mesopotâmia. Mais tarde em aproximadamente em 1.260 a.C, como
seguidores de Moisés fixaram em Canaã, transformando Jerusalém em seu centro
religioso.
O livro sagrado judeu é a Torah Nebi'im Wekehuvim dividido em três partes:
Torah ou Pentateuco, o Profetas e os Escritos.
A Torah contém 248 mandamentos e 365 proibições: o homem é criado com 248
membros e 365 veias, refletindo em sua estrutura ao mesmo tempo a obra de Deus
( o Cosmo) e sua revelação ( a Lei).
Fílon, importante filósofo do judaísmo helenítico (20 a .C - 45 d. C), fez
paralelos da Bíblia com Platão. Descreve a criação do mundo por um demiurgo
(criatura intermediária entre a natureza divina e humana) que cria o Universo
organizando a matéria preexistente, na queda dos espíritos como sendo
conseqüente à própria essência do homem, ainda que "ele fosse vestido pela
túnica de pele", o corpo material que encerra a alma como uma prisão.
Há grande diversidade nas concepções de Deus e dos mitos da criação do Cosmo e
do homem, porém, a Divindade, YHWH (Deus do Céu) ou ELOHIM (plural), é sempre
visto como onipresente, onisciente e soberano sobre os homens.
No século III a .C surgiram os textos apocalípticos, dentre eles o de Daniel é
o de maior vulto. Descreve a história universal segundo um plano de Deus, a
estrutura do Universo é a morada de Deus. Segundo Daniel, o fim dos tempos será
anunciado por cataclismos, dor e sofrimento que precedem a vinda do Messias, o
Filho do Homem, o Rei do Povo de Deus. Ele reinará com justiça e durante seu
reinado, que durará 400, 500 ou 1.000 anos, será necessário o arrependimento de
todos os homens; então Ele anulará o Pecado Original e abrirá as portas do
Paraíso.
No juízo final, os bons e justos ascenderão ao Paraíso, reencontrarão suas
coroas, seus tronos e suas vestes de glória que estão à sua espera desde antes
da criação do mundo, e os maus cairão para um abismo em chamas. O mal será
eliminado para sempre, o próprio Messias morrerá e tudo retornará ao silêncio
original, ao caos. "...ao termo de sete dias, despertará o eon que agora
dorme...", haverá uma nova criação, o advento da Jerusalém Celestial, a
ressurreição e a beatitude eternas.
No início dos tempos Deus revelara a "ciência secreta" a alguns
escolhidos, pois era velada aos profanos. No final dos tempos ela será
novamente revelada, mas sempre para um grupo restrito de iniciados. O Filho do
Homem, o Messias, é o Iniciado por excelência, é o Senhor de todos os segredos,
e quando ele assumir o Seu reinado "os segredos jorrarão de sua
boca".
Merkabah (Trono ou Carro Celestial onde encontra-se Deus), descrito por
Ezequiel, será encontrado ao final de uma viagem por sete hekhalot (palácios)
habitados por seres celestiais.
Outra obra de grande importância no judaísmo é o Mishnah e os 2 Talmudes ( de
Jerusalém e da Babilônia). É uma obra legalista que codifica a tradição oral
revelada a Moisés e é a chave para a interpretação da Tradição Escrita contida
na Torah, possui 63 tratados divididos em 6 sessões: zeaim (sementes), moed
(festas), noshim (mulheres), nezikim ( prejuízos), kodashim (coisas santas),
teharot ( purificações ).
A mensagem geral do profetismo judaico é moral e condena as práticas de cultos
cananeus como a prostituição e os sacrifício sangrentos; pregam a compostura e
advertem que caso contrário Deus afligirá aos infratores todos os males.
A Cabala judaica tem suas raízes no Sefer Yetsirah ou Livro da Criação. Possui
10 sephirot (associado aos 10 mandamentos) e 22 caminhos que os unem
(associados às 22 letras do alfabeto hebraico). A criação ocorreu a partir
destes 32 elementos primordiais.
A Cabala clássica descreve 4 universos espirituais:
-atsilut (emanação/divino) - compreendo os 10 sephirot
-beriyrah (criação) - compreende os 7 hekhalot e o merkabah
-yetsirah (formação) - os exércitos angélicos
asiyah (fabricação) - o mundo visível
Propõe 3 metas:
-tikkun - restauração da harmonia e unidade primordiais na pessoa e no mundo
-kavvanah - meditação contemplativa
-devekut - união estática com a essência, ascensão da alma para a luz Divina
Além disso prega que os 10 sephirot estão expressos nos elementos da natureza.
Utiliza muitos processos místicos, como por exemplo a visualização de cores,
para alcançar o atsilut (divino) , e acredita que este processo é dificultado
pelo sitra ahra ( o mal/o outro lado) do asiyah (mundo visível). Não adota a
dualidade alma/corpo e o desprezo pelo mundo físico, e vê a sexualidade como
processo para a reintegração de entidades separadas quando da descido das alma
para o corpo.
O hassidismo, movimento judaico mais recente que data do século XVIII, ressalta
a alegria da onipresença de Deus, perdendo-se no devekut. Reconhece a presença
de Deus nas mais triviais atividades do corpo, a louvação a Deus aparece nas
cerimônias sacras e também nas atividades "profanas" como as
refeições, o sono, a união sexual, o canto e a dança. Crêem que a intenção ao
praticar o ato é o mais importante e se em suas atividades a pessoa visar o
devekut o resultado será o êxtase. Denominam esta prática de yeridah le-tsorehk
aliyah, a descida com finalidade de ascensão.
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