De fato, o Xintoísmo só recebeu esse nome no século VI, quando os japoneses
buscaram distinguir sua própria tradição de religiões estrangeiras com a qual
entravam em contato, como o Budismo e o Taoísmo. Portanto, na sua origem, o
Xintoísmo foi a religião de um povo primitivo que, acima de tudo, eram
sensíveis às forças espirituais que permeavam o mundo de natureza no qual
viviam. Como uma antiga crônica relata: em seu mundo, uma miríade de espíritos
brilhavam como vaga-lumes e toda árvore e moita podia falar.
Numa oposição ao Budismo oriundo da China, os sacerdotes xintoístas pregavam
que Amaterasu (divindade) era superior a Buda, os imperadores Japoneses apartir
do século XIII d.C. interessados em restabelecer o primado da família imperial
(mikado) afirmaram a ascendência divina da raça nipônica e apoiaram fortemente
o movimento Xintoísta.
O politeísmo é a característica da religião Japonesa, a idéia de um ser supremo
não corresponde à fé Xintoísta, o apego às necessidades imediatas e aos fenômenos
naturais é o maior dogma.
A natureza é vista como maravilhosa, povoada de espíritos bons e maus chamados
Kami, que controlam os elementos, e interferem com as pessoas.
"Amatesu" (Kami do Sol) é cultuada como deidade superior (fonte da
vida e alegria), sendo o monte Fuji o seu santuário natural.
O chefe tribal, autoridade suprema durante a vida, é consagrado como Kami ao
morrer (culto ao imperador).
O após a morte não é parte significativa no Xintoísmo, o céu é reservado apenas
ao imperador, seus parentes, guerreiros e servidores, sendo aos demais
reservado um lugar escuro, infeliz e subterrâneo.
As famílias guardam em casa uma arca de madeira branca contendo tabuletas com o
nome dos falecidos, diante da arca são colocadas ofertas em memória aos espíritos
dos mortos.
Os membros são ensinados a oferecer um como de água e uma tigela de arroz
cozido no kamidana [santuário doméstico Xintoísta] todas as manhãs antes do
desjejum. Depois desse ato de adoração, é recolhida a tigela de arroz e comida
dela. Fazem isso, acham que os deuses os protegem.
Os santuários são numerosos, vão desde simples construções até o famoso
santuário "Ise" dedicado a "Amaterasu".
Os principais ritos Xintoístas são o "matsuri"(ofertas penduradas na
árvore sagrada) e o "imi"( purificação pessoal) principalmente após o
contato com pessoas mortas.
A oração, os amuletos e talismãs tem um sentido mágico, considerados como
detentores de grande poder. Os ritos tem a finalidade de predispor a alma dos
mortos com os vivos, a moral baseia-se na utilidade imediata, particular ou
mútua, sendo os pecados leves limpos pela oblação ritual, e os graves punidos
pela autoridade temporal.
A tradução politeísta inclui o culto à natureza, à fertilidade e a heróis,
técnicas de adivinhação e xamanismo. Diferente do Budismo, Cristianismo e
Islamismo, o Xintoísmo não tem um fundador e não desenvolveu escrituras
sagradas, uma filosofia religiosa explícita nem um código moral específico.
No Xintoísmo não há fé num deus absoluto que criou o Universo material separado
do plano espiritual. Para o Xintoísmo, o espiritual e o material são
inseparáveis - tudo é espiritual.
De acordo com a mitologia xintoísta, o Universo veio a existir quando as duas
forças cósmicas de yin e yang separaram-se do caos primordial. Destas duas
forças opositoras vieram os Cinco Elementos (ar, água, madeira, metal e terra),
e estes agentes criaram as Dez Mil Coisas. O domínio de yang se tornou
conhecido como o Céu e o domínio de yin, a Terra. Sob a Terra havia o Inferno,
que por esta razão também é conhecido como a Prisão da Terra (JiGoku). Do céu,
deuses (Kami, um Kanji também pronunciado Shin/Jin e Kan) apareceram. Desses
deuses nasceram outros deuses, a natureza e os humanos.
Já foi contado um número de oito milhões de deuses, divididos em celestiais
(ama-tsu kami) e terrenos (kuni-tsu kami).
Segundo a Nihon Shukyo Jiten (Enciclopédia de Religiões Japonesa), "a
formação Xintoísta é quase idêntica à cultura étnica japonesa, e é uma cultura
religiosa que jamais foi praticada à parte dessa sociedade étnica". Mas,
as influências dos negócios e da cultura japonesa estão agora tão difundidas
que deve interessar-nos saber que fatores religiosos moldam a história do Japão
e a personalidade japonesa. O Xintoísmo afirme ter mais de 91.000.000 de
membros no Japão.
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