ÍNDICE
Introdução.....................................................................................4
Ministério......................................................................................5
Apóstolos......................................................................................6
Profetas.........................................................................................7
Evangelistas...................................................................................7
Pastores........................................................................................8
Mestres.........................................................................................9
Trabalho ministerial
em equipe......................................................10
Diáconos.....................................................................................10
Conclusão....................................................................................15
Bibliografia...................................................................................16
INTRODUÇÃO
Alguns animais vivem
totalmente isolados. Não se associam nem com outros da sua própria espécie,
exceto, com a mãe no primeiro período da vida e com a companheira (o) durante o
cio. O ser humano, ao contrário, é gregário. Vive em grupos. Tal associação
é necessária a fim de alcançar objetivos que, individualmente, não seriam
possíveis. Além disso, a própria natureza humana sente necessidade do
companheirismo e do amor. Depois de haver criado Adão, Deus disse : "Não é
bom que o homem esteja só." Quem insiste em se isolar luta contra o bom
senso e torna-se infeliz. Como disse Salomão, aquele que se separa insurge-se
contra a verdadeira sabedoria. (Pv.18:1).
Contudo, viver em
grupo tem também seus problemas e cria novas necessidades. O primeiro problema
é a direção a ser tomada. Se são muitos os componentes do grupo, muitas são as
cabeças e diversas as opiniões. Por isso, são necessários os líderes. Não para
fazer a sua própria vontade, mas para interpretar a vontade do grupo e
viabilizar sua execução. Esta é uma dura tarefa. Exige sabedoria e bom senso,
porque pode ser que o grupo esteja enganado quanto aos seus propósitos. Por
isso, o líder precisa ter capacidade e preparação superior a média do grupo, a
fim de poder conduzi-lo de modo eficaz. Outra necessidade que surge com o grupo
é divisão de tarefas. É preciso identificar habilidades, talentos e atribuir
responsabilidades.
A liderança é
necessária em qualquer empreendimento coletivo. A igreja não é uma exceção. O
líder da igreja é, em última instância, o Senhor Jesus. Ele é a cabeça da
igreja. (Ef.1:20-23). Entretanto, os homens ainda precisam de líderes visíveis;
precisam de modelos humanos e direção humana, uma vez que nem sempre estão
aptos a ouvir a ordem direta de Deus. Por isso, Deus instituiu ministérios na
igreja. O que é um ministério? Quais são os ministérios estabelecidos por Deus?
Tal liderança é ainda necessária nos nossos dias? Como está a realidade das igrejas
em relação a tudo isso?
Neste estudo
procuraremos respostas a essas questões. Precisamos obtê-las urgentemente, pois
a indefinição nesse assunto tem causado problemas diversos na obra de Deus e
dificultado a expansão do seu Reino.
MINISTÉRIO
Entre outras
informações, o dicionário da língua portuguesa nos diz que ministério é
"trabalho ou serviço na igreja". Biblicamente, entendemos que todo
serviço cristão que se desempenha de modo contínuo é um ministério. Desde a liderança
até tarefas operacionais permanentes. Um trabalho eventual não pode ser assim
considerado. Eis aí um fator que serve até para diferenciar ministérios e dons
espirituais.
Existem quatro
termos gregos que se relacionam ao vocábulo "ministro" e "ministério".
São eles:
- huperetai (huperetai)
- leitourgos (leitourgos)
- sunergon (sunergon)
- diakonos (diakonos)
Paulo emprega quase
que invariavelmente, diakonos. O termo aparece, nas quatro formas, 25 vezes no
Novo Testamento.
A forma
"diakonia" aparece 24 vezes, sendo traduzida por:
- Distribuição de
serviço, socorro, serviço, ministério ou administração.
Os ministérios de
liderança apresentados no Novo Testamento são :
- Apóstolos
- Profetas
- Evangelistas
- Pastores (bispos,
presbíteros)
- Mestres (Efésios
4:11)
Os diáconos são
apresentados como auxiliares. Eles não dirigem a igreja local, mas são
responsáveis por algumas áreas. (At.6).
Ministério é
serviço. Logo, o ministro é um servo. Algumas vezes, o apóstolo Paulo usou o
termo doulos (doulos), que
significa escravo. "Onde está pois a jactância ?" O Verdadeiro
espírito do ministro, não deve ser a ambição carnal de mandar ou ser servido,
mas encarnar o que Jesus sempre fez no seu ministério terreno, que foi
"não ser servido, mas servir". (Mc. 10:45).
Quando os discípulos
disputavam entre si para saber quem era o maior, Jesus "os chamou para
junto de si e disse-lhes: sabeis que os que são considerados governadores dos
povos, têm-nos sob seu domínio, e sobre eles seus maiores exercem autoridade.
Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre
vós, será esse o que vos sirva; quem quiser ser o primeiro entre vós, será
servo de todos." (Mc. 10:41-44).
Apesar das
especificações bíblicas, as igrejas e denominações estabelecem alguns ministros
e desprezam ou ignoram os demais.
Os Metodistas têm
bispos e pastores.
Os Presbiterianos,
Assembléia de Deus e outras igrejas pentecostais têm pastores, diáconos e
presbíteros.
Os Batistas têm
somente pastores e diáconos.
Na seqüência,
procuraremos explicitar alguns detalhes de cada um dos ministérios
supracitados.
APÓSTOLOS
O nome que designa o
primeiro ministério estabelecido na igreja (I Cor.12:28) é de origem grega (apostolos) e significa
"enviado", ou seja, um indivíduo que executa serviço especial, agindo
em nome e pela autoridade de quem o enviou.
O maior de todos os
apóstolos é o próprio Senhor Jesus, que foi enviado pelo Pai para executar sua
obra na terra. (Heb. 3:1 Jo.4:34). Para que essa obra fosse continuada após sua
ascensão, Jesus escolheu doze homens. (Mt. 10:1-2 Jo.20:21). Um deles, Judas
Iscariotes, o traiu e foi substituído por Matias. (At.1:16-26). Tais homens
foram equipados pelo Senhor com autoridade, poder para operar milagres, ousadia
para pregar, etc. Tudo isso, mediante a operação do Espírito Santo que lhes
fora dado (At.1:8). Toda essa "munição" tinha por objetivo
capacitá-los a desbravar todas as frentes por aonde iam e aí estabelecerem a
igreja de Jesus Cristo. Muitos cristãos afirmam que o ministério apostólico não
existe mais. Entretanto, observamos que, além dos doze, o Senhor levantou
outros apóstolos no período do Novo Testamento, como, por exemplo, Paulo e
Barnabé. (At.14:14). Por que ele não o faria ainda hoje, quando muitos povos
estão ainda por serem alcançados pelo evangelho?
O apóstolo não é um
cacique ou um papa. Donald Gee diz: "Esse ministério exigia praticamente
que um apóstolo reunisse quase todos os outros ministérios num só homem. Assim,
ele participava da inspiração do profeta, fazia a obra de um evangelista,
conhecia o pastoral "cuidado de todas as igrejas", devia ser apto
para ensinar, ao passo que, atendendo a administração de negócio, seguia o
exemplo do Senhor em não se esquivar dos deveres de um diácono, quando fosse
necessário.”.
Possivelmente,
muitos dos missionários da atualidade sejam, de fato, apóstolos de Jesus.
Outros há que, por não terem ido a terras distantes, não são assim
reconhecidos, mas estão desempenhando esse ministério em sua própria
"Jerusalém" (At.1:8), e receberão do Senhor o devido galardão.
PROFETAS
O profeta é a pessoa
que recebe a mensagem diretamente de Deus e a transmite ao povo. Esse anúncio
pode ser uma revelação, uma admoestação, ou uma predição.
Muitos profetas
existiram na história de Israel. Sua presença é constante no Velho Testamento,
apontando o caminho para o povo de Deus. Sua importância era grande pois, como
afirmou Salomão, "Sem profecia o povo se corrompe". (Pv.29:18). No
Novo Testamento, Deus continuou levantando profetas. O primeiro foi João
Batista, que veio no estilo dos profetas antigos, assemelhando-se, sobretudo, a
Elias. (Lc.1:76 Mt.11:9-14 Mc.11:32). Seu papel foi preparar o caminho para o
profeta maior - Jesus, que, por sua vez, levantou outros profetas para orientar
a igreja que surgia. No Novo Testamento, existem menções a esse ministério,
havendo muitos deles em Jerusalém, Antioquia, Corinto, e outras cidades.
(At.13:1 At.11:27 I Cor.14:29).
O profeta não é um
mero pregador da palavra, um mestre da Bíblia, nem um preditor de futuro. O
profeta é um ministro de Cristo. Não apela para os poderes da lógica, erudição,
oratória, psicologia, ignorância ou misticismo. Sua mensagem pode vir através
de uma pregação, mas não necessariamente.
EVANGELISTAS
É uma pessoa dotada
de capacidade especial para pregar o evangelho. Alguns usam esse título apenas
em relação aos escritores dos quatro evangelhos. A Bíblia, no entanto, cita
ainda Filipe e Timóteo como evangelistas. (At.21:8 II Tm.4:5).
Todos os cristãos
podem e devem anunciar o evangelho. Todavia, a maioria não é capaz de fazer uma
pregação propriamente dita. O evangelista é um pregador, e faz isso com
maestria, habilidade, e poder que lhe são conferidos pelo Espírito Santo especialmente
para esse fim. Evidentemente, nem todo pregador é evangelista. É bom frisarmos
também que o trabalho do evangelista não se restringe à pregação, mas abrange
também o evangelismo pessoal.
Consideramos que
todo apóstolo é um evangelista, mas nem todo evangelista é apóstolo. O
ministério apostólico é mais abrangente e extrapola os limites da igreja local.
PASTORES
Voltando à origem do
termo, um pastor é a pessoa que cuida de um rebanho de ovelhas. Seu trabalho
vai desde a procura do melhor alimento para elas, até a defesa contra ladrões
ou animais selvagens que possam atacá-las. Abel foi o primeiro pastor de
ovelhas. Os patriarcas - Abraão, Isaque e Jacó - foram pastores. Esse trabalho
era muito comum no meio dos israelitas e outros povos antigos. O próprio Davi,
que veio a ser rei de Israel, cuidava de ovelhas quando era jovem, e percebeu
que, da mesma forma, Deus cuidava dele e de seu povo. Ao reconhecer esse fato,
Davi escreveu o conhecido Salmo 23: "O Senhor é o meu pastor e nada me
faltará".
Em muitos outros
textos da Bíblia, o termo "pastor" é utilizado em referência a Deus e
aos líderes do seu povo. (Sl.100:3 Jr.23:1-2). No Novo Testamento, esse título
já era usado normalmente como o usamos hoje. Jesus disse de si mesmo: "Eu
sou o bom pastor". (Jo.10:11). O termo grego para pastor é poimen (poimén).O ministério do pastor na
igreja tem as atribuições que vimos no início : alimentar, cuidar, proteger,
defender, conduzir. Esse é um ministério lindo. Dos cinco ministérios de
Efésios 4:11, o pastor é o que está mais próximo da ovelha, mais comprometido e
mais atencioso para com ela. Nos nossos dias, constatamos que existem pastores
demais. Quando, porém, conhecemos muitos desses ministros, percebemos que não
são, de fato, pastores. Podem até ter um dos outros ministérios bíblicos, mas,
por uma distorção tradicional e histórica da igreja, receberam o título de
pastor. Isto é, algumas vezes, prejudicial, pois muitos líderes vivem se
esforçando para serem o que não são e deixam de fazer aquilo para que fossem
chamados.
O trabalho do pastor
na igreja, não é somente batizar, celebrar casamentos, funerais, pregar
sermões, mas, de acordo com Ef. 4:11-16 :
- Aperfeiçoar os
santos para o desempenho do serviço de cada membro do Corpo de Cristo.
- Edificar o corpo
de cristo que é a igreja.
Outros títulos
utilizados para o pastor no Novo Testamento são: bispo e presbítero.
Bispo - vem
do grego episkopos (episkopos). Indica,
não ofício, mas função, o trabalho específico de um pastor dotado de visão
administrativa, um superintendente. Ele não faz todo o trabalho, mas organiza,
providencia tudo e depois supervisiona. O termo episkopos era dado àquele que
tinha a função de vigiar, fiscalizar, principalmente as embarcações. Os gregos
e os romanos usavam este termo para designar superintendentes de obras profanas
ou sagradas. O bispo como pastor tem a responsabilidade de ver que o serviço
seja bem feito. Não se encontra no Novo Testamento o uso do vocábulo bispo no
sentido de um oficial eclesiástico que tem autoridade sobre os outros ministros
do evangelho.
Presbítero -
significa velho, ancião. Na primeira viagem missionária, Paulo e Barnabé, na
ida fizeram trabalho evangelístico e público; no retorno, em cada cidade por
onde passaram reuniram os convertidos organizaram igrejas e ordenaram
presbíteros (At.14:21-23). Deveriam ser homens de certa idade, firmes na fé,
inabaláveis no amor e constantes na obra do Senhor. Eles foram eleitos pela
igreja para desempenhar funções pastorais na palavra, nos batismos, na
celebração das ceias, etc.
O ministério
pastoral surgiu no livro de Atos. Em Jerusalém surgiu o primeiro rebanho pela
obra do Espírito Santo. Constituído de 120 pessoas, no princípio, aumentou para
3.120; foi crescendo sempre até chegar a "dezenas de milhares"
(At.21:20). No princípio, os doze cuidavam de tudo. Houve problemas e os doze
cuidaram da oração e da palavra e outros homens passaram a ser designados para
outras tarefas. O trabalho do Senhor foi além de Jerusalém e chegou até
Antioquia da Síria. Antioquia organizou trabalhos no continente. Em cada cidade
havia presbíteros. Na era apostólica encontramos pluralidade de pastores em
cada igreja (Fp.1:1). Os presbíteros recrutados entre os convertidos das
igrejas, deveriam ser homens de negócios e de trabalho. Alguns se dedicaram
grandemente ao trabalho do Senhor e passaram a dar tempo integral ao ministério
e o apóstolo Paulo mandou dar a esses homens, salários dobrados (I Tm.5:17).
Pelo retrato que a Bíblia guarda de alguns pastores, homens transformados pelo
Espírito Sando, cheios da graça do Senhor, revestidos de poder, conduta
exemplar, irrepreensíveis, consagrados, dedicados exclusivamente ao ministério
da palavra, bons chefes de família, sérios, operosos e humildes, encontramos
reprodução perfeita hoje em muitos obreiros que se sacrifica por Cristo,
colocam o Reino de Deus acima de tudo e constituem a galeria daqueles que vivem
para glorificar o Senhor. A Bíblia alinha nessa imortal galeria de pastores
reais, Tiago, o irmão do Senhor que foi pastor da igreja em Jerusalém. Paulo
e Barnabé somaram ao dom apostolar o dom pastoral. Um modelo de pastor nos
tempos modernos foi no século passado Charles H. Spurgeon, do famoso
Tabernáculo de Londres e milhares de outros famosos ou que viveram na sombra do
anonimato, mas realizaram o imortal trabalho de conduzir almas a Cristo e
apascentá-las com paciência e amor.
MESTRES
Deus disse: "O
meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento". (Os. 4:6). Essa
afirmação nos mostra claramente a importância do ensino da Palavra de Deus. O
apóstolo Paulo disse que não queria que os coríntios fossem ignorantes a
respeito dos dons espirituais (I Cor.12:1). Certamente, Deus não quer que sejamos
ignorantes acerca de nenhuma das doutrinas bíblicas, pois isso poderia
significar a nossa destruição. Por esse motivo, ele estabeleceu mestres, ou
doutores, na igreja. Estes são pessoas que possuem o dom da palavra do
conhecimento e da sabedoria. (I Cor. 12:8). Além disso, possuem capacidade
intelectual e facilidade de comunicação.
Atualmente, o nome
que damos a quem exerce esta função é o de "professor". Entretanto, o
professor não é tratado com a mesma importância, honra e respeito que o mestre
recebia nos tempos bíblicos. Provavelmente, trata-se de um problema ligado à
conjuntura político-social do nosso tempo, ou, especificamente, da nossa nação,
onde a educação é relegada a último plano. A Bíblia valoriza o mestre, como
acontecia na comunidade judaica. Acima de tudo, vemos que Deus os valoriza e os
estabeleceu na igreja. Esses homens desempenham uma nobre função, carregam uma
grande responsabilidade (Tg. 3:1), que só não é maior do que o galardão que os
aguarda na eternidade. (Dn. 12:3).
TRABALHO
MINISTERIAL EM EQUIPE
Os apóstolos e
profetas são os alicerces da igreja, sendo Jesus a principal pedra de esquina.
(Ef. 2:20-22). Os evangelistas são aqueles que buscam o material para a
construção. (Mat. 22:9). Os mestres são os edificadores. Os pastores são os que
zelam pelo "Edifício de Deus". (Hb. 13:17 I Cor.3:5-17).
Essa ilustração nos
dá uma idéia aproximada de como é a integração do trabalho dos cinco
ministérios.
DIÁCONOS
Outro ministério que
figura no Novo Testamento é o dos diáconos. Sua primeira menção se encontra em
Atos dos Apóstolos, no capítulo 6, quando, devido às murmurações dos cristãos
helenistas, foram escolhidos sete homens para a direção do trabalho social da
igreja de Jerusalém.
Hoje em dia, há
pessoas que questionam a utilidade dos diáconos em nossas igrejas. Conta-nos o
autor de uma de nossas fontes bibliográficas o seguinte:
"Depois duma
semana passada no Estado de Virgínia, onde falara numa reunião de diáconos,
recebi uma carta da esposa dum diácono que exercia esse ofício numa igreja
batista rural. Lera uma reportagem daquela escola de diáconos no jornal da
localidade e queria saber se ainda havia razão plausível para a continuação de
tal ofício. Haverá algum serviço particular que o diácono possa prestar numa
igreja rural com um número reduzido de membros? Dizia ela que o marido era fiel
cristão no serviço da igreja, mas que o ser ele diácono não significava coisa
alguma. Na resposta, assegurei-lhe que o ofício de diácono é escriturístico e ,
quando bem compreendido, oferece uma oportunidade real de servir à
igreja."
Que significa para a
igreja o ofício de diácono ? Em que afetaria o seu programa, se , por
deliberação geral e por amor à paz esse ofício fosse abolido ? Em muitas igrejas
batistas a cessação desse ofício seria mera formalidade. E mui possivelmente,
algumas igrejas até recebessem com entusiasmo essa mudança. Bom número de
diáconos e pastores acham mesmo que nossas igrejas seriam melhor servidas por
outros oficiais e comissões eclesiásticas. E tais irmãos não são herejes, nem
reacionários; em sua maior parte, estão sinceramente procurando fazer progredir
o reino de Deus.
Temos, portanto, que
pesar cuidadosamente as situações que vêm provocando esse questionamento. E
devemos dar-lhe uma resposta sincera, inteligente e escriturística. Por isso,
vamos analisar algumas questões que se formam sobre o assunto:
- Primeiro: O mundo
em que vivemos é diferente. Quais as condições que levaram o povo pensante a
levantar a questão da necessidade de diáconos? Antes de tudo, temos que
reconhecer o desconcertante contraste entre o mundo do primeiro século e o do
século XX. Enorme distância separa o mundo em que a Igreja Primitiva deliberou
sobre a necessidade de homens para servirem às mesas deste nosso mundo em que
as igrejas hoje lutam por Cristo. O ritmo de hoje é muitíssimo mais acelerado.
Nas nossas igrejas atuais vemos refletida a complexidade da vida hodierna. O
crescimento das grandes cidades, o desenvolvimento das igrejas em tamanho e
número, a multiplicidade das organizações eclesiásticas, bem como as vastas
beneficências que as igrejas desejam oferecer ao povo. Tudo isso exige novos
métodos de trabalho, organizações modernas e de crescente eficácia. Num mundo
como estes em que vivemos mui facilmente nos confundem no que respeita ao lugar
do diácono na igreja.
- Segundo: O ofício
do diácono tem sido mal interpretado. Em muitas igrejas está mal definido e mal
compreendido o ofício do diácono e o serviço que ele deve prestar. Boas partes
dos batistas têm uma idéia errônea acerca do que o diácono deve fazer. Que
significa para a igreja o ofício do diácono? Qual a responsabilidade do diácono?
Que função exerce ele? Se precisarmos de diáconos em nossas igrejas hoje,
certamente precisamos também reestimar, reapreciar e reaprender o serviço que
eles devem prestar.
- Terceiro: muitos
choques têm acontecido entre pastores e diáconos. Às vezes assumem a feição de
verdadeiros conflitos, e com isso muito se prejudica a influência e a obra
dessas igrejas. Alguns pastores acham que não podem trabalhar com seus
diáconos. Então, às vezes, ouvimo-los dizer: "Sei muito bem o que devo
fazer. Se meus diáconos não concordarem comigo, levarei o caso à congregação, e
a assembléia que resolva." Uma situação dessas é, de fato, bem
desagradável, e denota enfermidade espiritual. Em algumas igrejas, o diaconato
já foi abolido devido a essas desavenças.
Existem igrejas
cujos diáconos se apropriaram duma autoridade muito contrária aos ensinos do
Novo Testamento. Existe um complexo de "junta", e um pensamento
generalizado de que os diáconos é que são os "diretores" da igreja.
Nada mais distanciado da índole batista. e do esquema neo-testamentário que
esta idéia. Onde prevalecer este errôneo conceito, inevitavelmente surgirá
aqueles que afirmam não haver necessidade alguma de diáconos. Sim, a verdade é
esta - não precisamos, nas nossas igrejas, de tais diáconos, nem de juntas diaconais
dessa espécie.
- Quarto : há muitos
outros que servem na igreja. Nas nossas igrejas de hoje há muita gente que
ocupa posições de responsabilidade. São professores de Escola Dominical,
diretores de departamentos, presidentes de uniões, presidentes de organizações
missionárias, membros de corais, e outras atividades afins. Muitas vezes essas
pessoas dão muito mais tempo de serviço à igreja do que mesmo os diáconos. Nas
igrejas grandes das cidades, o número de irmãos eleitos excede, às vezes, de
quinhentos, ou mais, além dos eleitos por classe, ou unidades, e dos que servem
por nomeação. E nessas igrejas , o número de diáconos muitas vezes não chega a
cinqüenta.
Haverá necessidade
de um ofício que dê honra a uns poucos, quando a vasta maioria do povo que
realiza a obra das igrejas não está incluída nesse ofício? Certamente os
diáconos não fazem mais jus a essa honra do que os outros, e , no entanto, se
lhes confere honra especial por um serviço não específico. Acresce notar que
certa revista aconselha que se constitua em diácono a todo aquele que exerce
algum ofício na igreja, seja homem, seja mulher. Tal idéia, para muitos
batistas, é ridícula, mas é certo o raciocínio que a sustenta. Fazem-se até
comparações nada aconselháveis entre o grupo chamado dos diáconos e o dos
outros obreiros ativos da igreja.
De fato, as
dificuldades são reais, e o problema não pode ser esquecido. Muita gente está
perguntando qual a necessidade desse ofício. O bem-estar espiritual da igreja
exige uma resposta. A maioria dos batistas sente que o diaconato é parte
inseparável da vida batista. Mas, as razões da sua existência devem ser claras,
concisas, escriturística e práticas.
PRECISAMOS AINDA DOS DIÁCONOS?
Sim! É a resposta
mais adequada. Precisamos dos diáconos em nossas igrejas atuais tanto quanto
deles precisaram os da primitiva igreja de Jerusalém. A compreensão exata e o
emprego adequado do diaconato constitui resposta clara para os problemas vitais
que hoje desafiam as igrejas e , às vezes, emperram o seu glorioso avanço.
O diaconato é um
modelo neo-testamentário. O motivo principal que nos faz reconhecer a
necessidade da existência do diaconato em nossas igrejas hoje deve ser
apresentado em primeiro lugar, pois que todo o resto se relaciona com ele.
Precisamos dos diáconos hoje, porque esse ofício é parte inseparável do modelo
da igreja neo-testamentária. "Modelo Neo-Testamentário" é uma frase
mui significativa para nós, batistas, que gostamos de chamar nossas igrejas de
igrejas do Novo Testamento e que não nos filiamos a nenhuma outra sorte de
igreja. Estamos perfeitamente convictos de que a igreja precisa derivar suas
doutrinas, organização e métodos, e sua comissão igualmente, das páginas do
Novo Testamento. Assim, o programa da igreja deve ser organizado em plena
harmonia e inteira consonância com os ensinos do Livro Sagrado. Foi a direção
do Espírito Santo que levou as igrejas do Novo Testamento a criar o diaconato.
A sabedoria divina trouxe à luz o diaconato, dando-lhe existência, e ele tem,
assim, uma finalidade divina.
Será que admitimos o
diaconato por mera tradição ? Absolutamente, não. No estudo deste ofício, três
coisas são verdadeiras e mui significativas quanto à igreja neo-testamentária.
Primeira - aquela igreja estava fundada sobre uma relação íntima, a de
pecadores salvos, com um Deus santo, por meio de Jesus Cristo. Assim, a igreja
não é primeiramente um companheirismo, e sim uma afinidade, cuja pedra
fundamental é a confissão duma fé pessoal em Jesus. Em segundo lugar,
a igreja é uma organização que salienta a grande responsabilidade que temos
para com Deus. E, finalmente, a sua origem divina torna eterna tanto o seu
significado como a sua utilidade. Os programas, os planos e a estratégia de
Deus nunca ficam fora de tempo ou da moda.
Quais os fatos
históricos que devemos considerar aqui ? Relembremos as tormentas que davam
contra a igreja primitiva em
Jerusalém. Os judeus parecia estarem convencidos de que a
morte de Jesus poria fim aos seus problemas teológicos. Achavam que uma vez
morto o Chefe dos nazarenos, seus seguidores logo se dispersariam. Algum tempo
depois, no entanto, percebeu que eles ganhavam vida nova, vida esta, oriunda da
certeza de haverem estado com Jesus, pois testemunhavam que Jesus ressuscitara.
Veio o pentecoste, e, com este o poder de Deus e o crescimento da igreja. Uma
das questões que foram levantadas contra a igreja foi em relação ao tratamento
que davam às viúvas, aos órfãos e aos necessitados. Os crentes helenistas da
congregação reclamavam, dizendo que as viúvas hebréias estavam sendo mais bem
contempladas que as outras. Foi nesse impasse que o Espírito Santo apresentou
aos doze uma solução: separariam sete homens de certas habilidades e lhes
confiariam os problemas da distribuição. E assim, por sugestão do Espírito
Santo, foram eleitos pela congregação os sete, para acudir a quaisquer outras
necessidades da igreja. “Então os doze convocaram a multidão dos discípulos e
lhes disseram: Não é razoável que nós deixemos à palavra de Deus e sirvamos às
mesas”. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação... Aos
quais constituamos sobre este importante negócio. Nós, porém, perseveraremos na
oração e no ministério da palavra. (Atos 6:2-4).
No livro de Atos
aqueles homens não recebem o nome de diáconos. São quase sempre chamados de
"os sete". Contudo, há acordo geral em que a eleição daqueles sete
varões qualificados significa realmente o início do diaconato como um cargo na
igreja. É no terceiro capítulo da primeira carta a Timóteo que aparecem
cuidadosamente esboçadas por Paulo as qualificações dos que deveriam servir à
igreja como diáconos. Também no início de sua carta aos Filipenses, lemos isto:
"Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus que
estão em Filipos, com os bispos e diáconos". (Filipenses 1:1). Temos aqui
forte base escriturística para afirmar que, começando na igreja de Jerusalém, o
ofício do diaconato se desenvolvera com a aprovação e a bênção do Espírito
Santo.
Deve-se distinguir
entre a obra que o diácono realiza e o ofício em que é investido. O
esquecimento desta distinção tem acarretado muitos mal-entendidos acerca do
diaconato, porque não existe uma obra que seja feita exclusivamente pelos
diáconos, isto é, não há nenhum serviço que ele faça de que outros não possam
participar. Essa distinção entre a obra e a posição que ele ocupa origina-se do
Novo Testamento, onde encontramos a palavra grega "diaconos" empregada tanto para
significar "ministro" como para significar "servo". Tal
palavra é usada na maior parte das vezes não para determinar aquele que tem uma
posição ou exerce um ofício na igreja, ainda que vejamos claramente, pelas
cartas paulinas, existir esse ofício. (Fp. 1:1 I Tm. 3:8 e 3:12). O Novo
Testamento emprega a mesma palavra para se referir em geral a cristãos, como
servos, e também a oficiais particularmente separados para um determinado
serviço. O diácono tem uma responsabilidade toda especial para com o serviço,
mas serve à igreja na mesma base em que são chamados a servir todos os mais
cristãos.
Dado que o ofício
apareceu pela orientação da sabedoria de Deus, claro está que só deve
desaparecer quando dele nos vierem instruções bem claras. O que se faz
necessário é uma redescoberta do ofício, um novo estudo das Escrituras a esse
respeito, e uma reconsagração no sentido de melhor se avaliar esta criação da
vontade divina. O Novo Testamento, de fato, oferece a resposta certa à pergunta
sobre a necessidade de diáconos em nossos dias.
Os diáconos foram
instituídos com os seguintes objetivos:
- Deixar
desembaraçados os ministros para se dedicarem à oração e ao estudo e ensino da
palavra de Deus.
- Promover a paz na
igreja ao preencher uma carência que estava gerando conflitos.
- Promover o
bem-estar dos crentes que seriam beneficiados com o seu serviço.
- Reforçar a
liderança da igreja.
CONCLUSÃO
A Bíblia nos
apresenta diversos ministérios eclesiásticos. Se Deus os estabeleceu, é porque
eles são necessários e indispensáveis. O que se vê, entretanto, é que apenas o
ministério pastoral é valorizado atualmente. Creio que os outros ministérios
existem, mas não são reconhecidos. Quando são, parecem estar em um nível bem
abaixo do pastorado, e talvez até abaixo do diaconato. As igrejas, em geral,
não investem na formação nem na remuneração de outros ministros. Por exemplo:
os evangelistas, exceto os grandes vultos internacionais, não são vistos como
ministros, a não ser que sejam também pastores.
Quem perde com tudo isso?
A própria igreja. O que vemos em muitas delas? A liderança está centralizada
nas mãos de um homem - o pastor. A igreja torna-se então um retrato desse
líder. Limita-se aos seus limites e se especializa em suas especialidades e
dons. Daí o fato de existirem igrejas "especializadas" em cura, ou
expulsão de demônios, ou profecias, ou libertação de viciados, etc. Isto não é
ruim. O mal está do outro lado da moeda. Uma igreja "especializada"
em curas normalmente é deficiente no ensino da Palavra de Deus. Aí começam os
problemas e surgem as heresias. Para evitar esse tipo de situação Deus
estabeleceu ministérios vários e distintos na igreja. Precisamos valorizar cada
um deles. É necessário descobrir aqueles que os possuem, investir na formação e
na remuneração desses ministros. A liderança deve ser praticada pela equipe
ministerial. A igreja que assim fizer, será equilibrada, crescerá naturalmente
e terá saúde espiritual.
BIBLIOGRAFIA
BOYER, O.S. -
Pequena Enciclopédia Bíblica - Editora Vida
HURST, D.V. - E
Ele Concedeu Uns Para Mestres - Editora Vida
NORMAN, HUSSEL -
O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - Milenium Distribuidora
Cultural Ltda.
BÍBLIA SAGRADA - Versão
Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida - Sociedade Bíblica do Brasil
BORN, A.VAN DEN -
Dicionário Enciclopédico da Bíblia -
Editora Vozes
Ltda
NAYLOR, ROBERT - O
Diácono Batista - Casa Publicadora Batista.
FERREIRA, AURÉLIO
BUARQUE DE HOLANDA - Novo Dicionário da Língua Portuguesa - Editora Nova Fronteira.
TOGNINI, ENÉAS - Eclesiologia
- Edições Convenção Batista Nacional.
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